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Mostrando postagens de novembro, 2025

“Uma Só Fé em Muitos Altares”

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        Sou alguém que pode ser chamado de ecumênico. Como seria maravilhoso se todas as igrejas e tradições espirituais caminhassem em união como uma só família! Assim, ressalto que, independentemente das diferenças, tenho profundo respeito e sincera admiração por todas as religiões. E, mesmo não sendo um leitor assíduo da Bíblia, guardo comigo a convicção de que ela é um livro sagrado, cujos escritos foram inspirados por Deus.    Creio firmemente também que todas as crenças que reconhecem um Deus Supremo — Justo, Bondoso e Misericordioso — são boas e necessárias. Cada uma delas, à sua maneira, orienta o coração humano para valores mais elevados e atua como freio inibitório às paixões desenfreadas que tantas vezes geram sofrimento e injustiça. É verdade que algumas delas afirmam: “Fora destes muros não há salvação”. A essas digo: pule o muro e saia correndo. Siga em frente, sem olhar para trás – afinal,   veja o que ocorreu com a pobre mulher de Ló...

"O ESTELIONATÁRIO FERVOROSO"

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      Atuei como advogado por mais de trinta anos e, principalmente     na área do direito criminal, presenciei muitos fatos bizarros, até divertidos, para dizer o mínimo. Um dos meus clientes, por exemplo, no início dos anos 2000, era um clássico 171 — estelionatário profissional, desses que fazem o banco chorar e o gerente suar frio. Inteligente, falante e ainda por cima com citações bíblicas na ponta da língua . Antes de “crescer na carreira”, já havia se passado por padre para aplicar pequenos golpes. Um talento versátil, digamos assim.    Pois bem. Nas penitenciárias existe um condomínio de luxo atrás das grades: as alas evangélicas . Ali, ex-“soldados do crime” viram “ovelhas do Senhor” com uma velocidade que faria até os evangelistas escreverem um novo testamento. E não é à toa: naquele oásis neo pentecostal, as vantagens são tentadoras — e todas muito cristãs, naturalmente: Primeiro: proteção absoluta. Na ala evangélica, ninguém enco...

"O REALISMO FANTÁSTICO"

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         Já escrevi aqui que sou fascinado pela máxima, atribuída a Shakespeare, tão cara ao estoicismo: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.” Hoje, peço permissão para permanecer nessa mesma trilha e falar sobre algo que, igualmente, me provoca espanto. Um fenômeno que ainda escapa às explicações das leis naturais — pelo menos às que meu entendimento alcança. Sei que minhas luzes para ser intelectual são tênues — pouco mais que lamparinas. Ainda assim, sou um leitor voraz, movido pela curiosidade e por certo assombro diante da genialidade alheia. Quero aqui tratar de três autores que, por muito tempo, deixaram minha mente suspensa em pensamentos, povoada de perguntas sem respostas. Talvez ainda hoje deixem.    Começo por Eiji Yoshikawa.   Ele escreveu um romance monumental sobre o lendário samurai Miyamoto Musashi, que viveu no período Edo, por volta de 1600. Dois volumes extensos — cada qual com mais...

OBRIGADO, BAMERINDUS.

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      Com tantas manchetes falando sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, fui tomado por uma onda de lembranças. De repente, voltei àquele outro banco onde trabalhei por mais de uma década — o lugar onde entrei menino e saí advogado. Eu tinha 16 anos quando fiz o teste de seleção. Nada de entrevistas complexas ou dinâmicas mirabolantes: uma prova de datilografia em máquina de escrever mecânica e umas dez ou quinze perguntas de conhecimentos gerais. Na datilografia, fui bem — 210 toques por minuto, o que, à época, era quase motivo de medalha. Já na parte “intelectual”... melhor nem comentar. Devido a minha memória pretérita, lembro nitidamente de uma das questões: “Qual a capital dos Estados Unidos?” — e eu, com toda a convicção cravei   Nova York . Gênio, definitivamente, não era. Comecei como conferente no processamento de dados, cercado por pilhas de cartões perfurados e listagens impressas pelo computador. Quando me despedi, dezesseis anos de...

“Pequenas coisas… grandes abalos”

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      A gente sabe — pelo menos racionalmente — que não se deve permitir que pequenas coisas nos aborreçam, sobretudo quando o nosso equilíbrio emocional já está fragilizado. Mas nem sempre conseguimos. Hoje aconteceu comigo. Minha saúde não anda das melhores. A mobilidade tem se tornado mais limitada, e às vezes me vejo esquecendo detalhes básicos do cotidiano. Se continuar assim, não duvidem que um dia desses eu escreva “çapo” em vez de “sapo”. Brinco, mas a verdade é que convivo com uma enfermidade neurológica que até o nome é feio: Demência com Corpos de Lewy,  com quadro de  degeneração progressiva, que não tem cura; o que exige de mim um constante exercício de serenidade. Mas não é sobre ela que quero falar hoje. O que me tocou — e, confesso, me abalou — foi algo que vivi há poucas horas. Eu estava na Casa Espírita em que pratico psicografia, um lugar fantástico que é  um verdadeiro remanso. Estar ali, naquela espaço tão bem cuidado, ao la...

'"O CHAPÉU PENSADOR"

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      Há muitos anos participei de um trabalho acadêmico, inserido em um grupo de estudos de natureza filosófica — creio que do vigésimo oitavo grau — vinculado a uma Instituição cujo nome, por discrição, não vem ao caso mencionar. O tema então proposto orbitava em torno da célebre sentença de Shakespeare, extraída das palavras de Hamlet dirigidas a Horácio: “a realidade não se esgota naquilo que é possível compreender”, ou, em sua formulação consagrada, “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia.” Pois bem, recentemente, ao remexer antigos papéis durante uma dessas faxinas que são, no fundo, escavações da memória, deparei-me com alguns alfarrábios utilizados na elaboração daquele texto. Tomo a liberdade de expô-los aqui, certo de não violar qualquer juramento de confidencialidade — até porque a própria internet já se encarregou de universalizar o que outrora era reservado. Hoje, QUASE   tudo da nossa Ordem se encontra ali, ao al...

"O DESPERTAMENTO"

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      Há algo que sempre me intrigou — e, ao mesmo tempo, me fascinou — nesta vida: o que costumo chamar de “Despertamento Intelectual” ou “Despertamento Mental” . Despertamento com “D” maiúsculo, tomado como substantivo e não apenas como verbo. É algo próximo daquele célebre eureka! que Arquimedes teria exclamado ao descobrir o princípio da impulsão enquanto tomava banho. (Teria ele, afinal, experimentado um insight ?) Meu interesse pelo tema nasceu durante uma aula em que um frei-professor dissertava, com brilho incomum, sobre o poeta Gregório de Matos — o famoso “Boca do Inferno”. Disse-nos o mestre haver uma anedota curiosa a respeito dele: contava-se que, quando seminarista jesuíta, Gregório era aluno de aprendizado difícil e, por isso, frequentemente incumbido de tarefas simples — lavar pratos, varrer, limpar a cozinha. (Presenciei isso no seminário em que estudei.) Pois foi justamente na cozinha, dizem, que ele sofreu uma queda e bateu a cabeça. Desmaiou — e,...