"MINHA MÃE"
Hoje vou pedir-lhe permissão para falar sobre minha mãe. Antes de tudo, ela foi uma heroína que, mesmo semi analfabeta e sem qualificação para nenhuma profissão condigna, sozinha criou quatro filhos. Meu pai abandonou a família quando eu tinha treze anos. Já falei dele aqui. Ela trabalhava de segunda a sexta como servente em um Órgão público; aos sábados era diarista, limpando casas; e seus domingos eram preenchidos com a lavagem de nossas poucas roupas e outras atividades domésticas. Foi graças ao esforço e perseverança dela que consegui estudar. Em todas minhas séries escolares acompanhava meu rendimento nos estudos, travando relação de amizade com minhas professoras, que, às vezes, também viravam suas “clientes” como diarista. Numa ocasião, coisa de moleque, envolvi-me numa briga no colégio e apanhei duas vezes – do meu oponente e dela. Tinha um surrado e temido cordãozinho de ferro elétrico para aqueles momentos, qu...