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Mostrando postagens de dezembro, 2024

UM NATAL MARCANTE.

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      No livro da vida todos nós temos alguns capítulos sobre os quais não gostamos de falar. Tenho muitos que são assim e um deles está ligado ao natal, às comemorações natalinas. Ocorreu quando tinha oito anos de idade. Falo sobre ele aqui não com o espírito de vitimização, já que nunca simpatizei com a figura do herói sofredor. Naquela época eu e minha família vivíamos na penúria, próximo à  linha da pobreza. Meu pai, com quatro filhos pequenos, ganhava o salário mínimo. Na páscoa o coelhinho nunca encontrava nosso endereço para deixar ovinhos de chocolate. E no natal ocorria o mesmo – o papai noel não descia pela chaminé de nosso fogão à lenha. Achava que ele não deslizava por ali por conta do seu grande saco de presentes. E foi naquele natal que resolvi facilitar as coisas pra ele e realizar meu infantil sonho de consumo – uma bicicletinha. Naquela noite do dia vinte e quatro fiquei até tarde acordado,   sentado na escada, com a intenção de chamar a atenç...

A EXAGERADA EVOLUÇÃO TECNOLÓGIA.

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  Hoje em dia fala-se muito a respeito da “geração Z”, que são as crianças que cresceram em um contexto altamente conectado à tecnologia, à internet e as redes sociais, o que moldou (para pior) seus comportamentos, valores e formas de se comunicar. Fala-se também sobre as crianças índigos, que dizem ter características especiais,   associadas a uma espiritualidade elevada, empatia, criatividade e senso de missão. Existem ainda teorias acerca das “crianças cristal” (após 2000) e as “crianças arco-íris” (posteriores a 2010.) – que são, afirmam alguns, altamente dependentes do celular e da internet. Minha geração não se encaixa em nenhuma delas, mas parece que faço parte de uma outra - a geração “X”, geração esta que passou e vivenciou um período de rapidíssima transição tecnológica, o que implicou também em enormes transformações culturais. Apenas para ilustrar esta conversa: pouca gente se lembra da máquina de escrever mecânica; da máquina de escrever elétrica; do fax; do...

MEUS GATOS

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      Sempre tive gatos. Todos eles eram vira latas, maloqueiros, encrenqueiros e abusadinhos. Deve ser a lei da atração. Atualmente estou com dois. Um deles está comigo há uns quinze anos. Além dos adjetivos acima, ele também sente uma atração fatal pelas minhas canelas finas   – vive mordendo as coitadas. Pelo que sim, pelo que não, mantenho minha caderneta da vacina antirrábica sempre atualizada. Nunca se sabe… Como se não bastasse isso, tem alterações de humor – é bipolar. Para usar uma palavra bonita, possui também algumas idiossincrasias -   ou, para não ser pseudo erudito,   – é o substantivo que cabe em quem é dono de um   temperamento cheio de esquisitices. Vou citar apenas duas delas. Uma,   só faz uso do peniquinho se ele contiver areia de boa qualidade, daquelas que inibe o odor – as de primeira. Duas, é obcecado pelo programa da Ana Maria Braga. Apesar de ficar indiferente aos pratos suculentos que ela ensina a fazer, quando apare...

Nosso Amigos Animais.

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  Em razão do meu estado de saúde, atualmente meu mundo se restringe ao interior da minha casa e ao quintal. É como se usasse tornozeleira   eletrônica sem ter praticado crime. Mas, tudo tem seu lado bom. Como tenho uma afeição muito grande pelos animais, tenho ocupado a ociosidade do tempo   a observá-los. Observá-los e admirá-los. No peitoral externo da minha janela do banheiro, por exemplo, um simpático casal de pombinhos ali fez seu ninho. Batizei-os de Florisbela e Joaquim. Enquanto ela chocava, ele sempre estava por perto, ora pousado no muro, ora pousado nos fios da rede elétrica. Era como se fizesse a segurança e a proteção dela – talvez fosse. Dos ovos de Florisbela saíram dois filhotes. Um robusto e forte e o outro mais minguado. Aquele logo fez seu vôo solo, mas esse não teve nem força nem coragem para imitá-lo. Caiu do ninho e sobreviveu no chão por dois dias. Durante aquele tempo Florisbela fez inúmeros vôos rasantes em torno dele, mas foi em vão. Ele não c...