"O REALISMO FANTÁSTICO"

 

 

 

 William Shakespeare: Os 28 melhores Filmes e Séries - Cinema10

 Já escrevi aqui que sou fascinado pela máxima, atribuída a Shakespeare, tão cara ao estoicismo: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.”

Hoje, peço permissão para permanecer nessa mesma trilha e falar sobre algo que, igualmente, me provoca espanto. Um fenômeno que ainda escapa às explicações das leis naturais — pelo menos às que meu entendimento alcança.

Sei que minhas luzes para ser intelectual são tênues — pouco mais que lamparinas. Ainda assim, sou um leitor voraz, movido pela curiosidade e por certo assombro diante da genialidade alheia. Quero aqui tratar de três autores que, por muito tempo, deixaram minha mente suspensa em pensamentos, povoada de perguntas sem respostas. Talvez ainda hoje deixem.

  Musashi: An Epic Novel of the Samurai Era | Amazon.com.br

 Começo por Eiji Yoshikawa.

 Ele escreveu um romance monumental sobre o lendário samurai Miyamoto Musashi, que viveu no período Edo, por volta de 1600. Dois volumes extensos — cada qual com mais de quinhentas páginas — com cenários extremamente detalhados sobre os costumes, as vestes, as vilas, as batalhas e até mesmo os hábitos alimentares no Japão daquela época. Agora, repare bem: Yoshikawa escreveu Musashi na década de 1930. Sem internet. Sem Google. Sem bancos de dados digitais ou enciclopédias instantâneas. A riqueza de minudências que ele oferece desafia nossa compreensão moderna. Como alguém, sem a facilidade de um clique, pôde reconstruir um Japão feudal com tamanha precisão e sensibilidade?

É disso que falo: desse mistério que paira entre a disciplina humana, a memória cultural e — quem sabe? — uma centelha inexplicável de inspiração. Teria ele ido até lá, presenciado in loco aquela realidade e registrado em seu livro? Nosso passado coexiste com o presente? Não sei, “há mais coisas…”

  Paris in the Twentieth Century | Amazon.com.br

 Outro escritor é, nada mais, nada menos, que Júlio Verne.

 Num primeiro momento, ainda na juventude, li algumas de suas maravilhosas aventuras na disciplina de Literatura, lecionada por um padre. Leitura feita, às vezes, confesso, às pressas, e muito mais pela necessidade de preencher as famosas fichas de leitura do que por genuína curiosidade juvenil.

Posteriormente, já adulto e movido por outra disposição, li e reli quase todos os seus livros. Entre eles, chamou muito minha atenção o intitulado Paris no Século XX, escrito em 1863. Ali, com quase um século de antecedência, Verne efetivamente previu e descreveu como viria a ser a capital francesa nos anos sessenta do século passado: metrô, carros, rodovias asfaltadas, arranha-céus, elevadores e muito mais.

 Da Terra À Lua

 Em outro título, Da Terra à Lua, o lançamento da cápsula rumo ao espaço se dá no estado da Flórida — justamente a região escolhida pela NASA para os lançamentos das missões Apollo um século depois. Na narrativa de Verne, a tripulação era formada por três viajantes; na primeira alunissagem, em 1969, também eram três os astronautas. O gigantesco canhão do romance chamava-se “Columbiad”; na Apollo 11, o módulo de comando levava o nome “Columbia”. Ao final da missão, tanto os viajantes do livro quanto os astronautas americanos retornam à Terra e pousam no mar.

E isso para ficar apenas nesses dois livros. Coincidências? Nosso presente coexiste com o futuro? Teria ele ido até lá?  Não sei,  “há mais coisas…”

 As Sandálias do Pescador | Livros e Opinião

 Os Fantoches De Deus - Morris West - Traça Livraria e Sebo

 Agora, an passant, algumas palavras a respeito do renomado escritor australiano Morris West.

Li quase todos seus livros. Num deles, “As Sandálias do Pescador”, de 1963, ele descreve a eleição de um papa eslavo oriundo da Europa Oriental. Ou seja, previu a eleição do papa polonês Karol Wojtyla (1978) quinze anos antes dela ter ocorrido. Mas não é só: em outro de seus livros “Os Fantoches de Deus”, publicado em 1981, ele imagina um papa que, diante de desafios internos e externos, decide renunciar à função e viver em reclusão – foi o que ocorreu com Bento XVI em 2013 – trinta e dois anos depois.

Nosso presente coexiste com o passado e com o futuro? Não sei, repito,  “há mais coisas…”

É o Realismo Fantástico…

 

O Despertar dos Mágicos

 

 

 

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