"O DESPERTAMENTO"
Há algo que sempre me intrigou — e, ao mesmo tempo, me fascinou — nesta vida: o que costumo chamar de “Despertamento Intelectual” ou “Despertamento Mental”. Despertamento com “D” maiúsculo, tomado como substantivo e não apenas como verbo. É algo próximo daquele célebre eureka! que Arquimedes teria exclamado ao descobrir o princípio da impulsão enquanto tomava banho. (Teria ele, afinal, experimentado um insight?)
Meu interesse pelo tema nasceu durante uma aula em que um frei-professor dissertava, com brilho incomum, sobre o poeta Gregório de Matos — o famoso “Boca do Inferno”. Disse-nos o mestre haver uma anedota curiosa a respeito dele: contava-se que, quando seminarista jesuíta, Gregório era aluno de aprendizado difícil e, por isso, frequentemente incumbido de tarefas simples — lavar pratos, varrer, limpar a cozinha. (Presenciei isso no seminário em que estudei.) Pois foi justamente na cozinha, dizem, que ele sofreu uma queda e bateu a cabeça. Desmaiou — e, ao recobrar os sentidos, parecia outra pessoa. Com efeito, quando o sangue voltou a circular pela cabeça, despertou… como um gênio. (Teria ele, então, vivido seu insight?)
No início do século passado, houve também um místico muito conhecido na região de Sorocaba, em São Paulo. Até os quarenta anos, era alcoólatra — daqueles de reputação temida, “cachaceiro” seria a palavra mais honesta. Certa vez, em uma de suas costumeiras bebedeiras, caiu na sarjeta e bateu a cabeça. Quando acordou, era outro homem. Talvez sob uma inspiração maior, fundou uma seita cristã e a ela dedicou o resto da vida — viveu até os oitenta e um anos. Foi sensitivo, médium, carismático, benzedor, curandeiro... ou qualquer outro nome que se queira dar. Para quem se interessar, há farto material sobre ele na internet: chamava-se João de Camargo. (Teria ele também experimentado um insight?)
Essas súbitas clarezas da mente sempre me provocaram espanto. Talvez sejam aquilo que alguns místicos chamam de “abertura de canais” — fenômeno ainda incompreensível pelas leis naturais.
Na minha singela opinião, trata-se de um tema que um dia ainda será objeto de estudo pela ciência humana. Por ora, só nos resta a especulação — e o encantamento.
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