"OLHA O CARTEIRO!"

 

 

 Cientistas analisam cérebros de médiuns durante psicografia | DIVULGANDO A  DOUTRINA ESPÍRITA

 

Sou médium de psicografia mecânica e, quando estou psicografando, torno-me extremamente sensível a ruídos e barulhos, mesmo aqueles  que ultrapassem uns poucos decibéis além do normal. Além disso, sinto um verdadeiro “choque elétrico” quando, nesse estado, ocorre qualquer contato físico com outra pessoa.

Como se isso não bastasse, quando estou mediunizado  sou muito  suscetível ao excesso de luz - necessito de uma  luz indireta. Ainda assim, devo destacar que o que mais me incomoda é o ruído, o barulho… Para contornar essa situação tenho feito uso de protetores auriculares – tampões de ouvido – o que  está ajudando. 

48 Protetor Auricular High Res Illustrations - Getty Images

 Não sei exatamente como descrever essa sensação, mas é como se alguém estivesse arranhando com as unhas um quadro-negro. Ou, ainda, é como se me jogassem  um balde de água gelada com alguns cubos de gelo. É algo que atravessa os nervos e dificulta manter a concentração necessária.

Por outro lado, confesso, não sou um estudioso do kardecismo, embora tenha frequentado, há uns trinta ou quarenta anos, o COEM — Curso de Orientação e Educação Mediúnica — na Federação Espírita do Paraná, com duração de um ano e baseado em O Livro dos Médiuns. Acrescente-se, que por mais de uma vez iniciei a leitura da obra A Gênese,  mas não conclui em nenhuma delas – no meu entender, embora possua uma linguagem clara é de difícil compreensão. 

O Livro dos Médiuns

 Ainda assim, continuo sem entender plenamente essa acentuada sensibilidade que ocorre comigo. Talvez seja algo ligado ao perispírito , em suas sensações físicas – mas não tenho a certeza.

Por essas razões, tenho psicografado durante as madrugadas, quando reina o silêncio. Ainda assim, uma vez por semana também exerço essa prática na Casa Espírita que gentilmente me acolheu.

 

Mas não é sobre isso que quero falar aqui. Quero falar de outra coisa: das cartas enviadas do Lado de Lá para os do lado de cá.

Ocorreu o seguinte: na tarde do último sábado, eu psicografava no salão de palestras da Casa quando uma simpática senhora aproximou-se e me entregou uma pequena folha de papel, cuidadosamente dobrada. Nela estavam escritos os nomes de três pessoas, acompanhados de suas respectivas datas de nascimento e de falecimento.

Ela não disse uma palavra. Apenas colocou o papel em minhas mãos e se afastou em silêncio, sem me dar tempo para qualquer pergunta.

Não sei exatamente por quê, mas tive a impressão de que aquele pedido silencioso já tivesse sido feito anteriormente em outros ambientes espíritas. Muito provavelmente ela estivesse ali movida por uma esperança nobre: contatar entes queridos que se encontram no outro Plano da Existência.

Repito, não sou estudioso e nem profundo conhecedor do espiritismo, mas, mesmo assim,  vou me permitir dizer – veja bem, sob o meu ponto de vista - como se processa essa prática (cartinhas).

Carta psicografada acende alerta para perigos espirituais do Carnaval

 PRIMEIRO,

Quero crer que aqueles que já se encontram do Outro Lado não andem por Lá com um celular no bolso traseiro da calça e talvez um bloco nas mãos, disponíveis a qualquer momento para atender às ligações ou chamados de quem ainda está deste lado. Em outras palavras, não existe uma espécie de “discagem telefônica” ou “acionamento do carteiro”  deste plano para o outro — o “chamado”, ao que parece, realiza-se de Lá para cá.

Embora eu não tenha nenhuma pretensão em ser “escrevente” dessa forma de comunicação (mas, quem decide é o meu mentor), ouso afirmar que, em qualquer casa espírita, os trabalhos mediúnicos destinados a essa finalidade devam ocorrer em momentos específicos, com dias e horários previamente definidos. Esses encontros regulares — sempre no mesmo dia da semana e no mesmo horário — são importantes porque permitem “alinhar”, com antecedência, as condições necessárias para esse tipo de comunicação — no caso, as cartas — tanto deste lado quanto do outro.

Ou seja, é como se houvesse uma espécie de “agendamento” prévio com o mundo espiritual, pois é natural imaginar que, do lado de Lá, também sejam tomadas as providências necessárias para que essa forma de comunicação se realize. Em síntese, trata-se de um processo um pouco mais complexo do que geralmente imaginamos. Exige todo um verdadeiro aparato logístico.

Ainda neste tópico, intuo que, nessas sessões, faz-se necessária a presença da pessoa que busca a correspondência, pois é a partir de sua vibração e de sua frequência mental que se estabelece o contato com o ser espiritual pretendido.

SEGUNDO,

Mesmo reconhecendo que é extraordinária a dádiva representada pelo recebimento de uma missiva de entes queridos, que já retornaram à Moradia Celeste — algo capaz de atuar como verdadeiro bálsamo consolador —, não parece exagero indagar sobre o conteúdo dessas cartas (com todo respeito), que geralmente recaem em alguns lugares-comuns:

a) que não sofreram com o desencarne;
b) que sentem saudades dos familiares que permaneceram aqui;
c) que ainda se encontram em alguma aprazível colônia espiritual;
d) que o código para a abertura do cofre da biblioteca é…;
e) e assim por diante.

É verdade que, certa vez, uma carta psicografada chegou a servir como elemento de prova em um processo criminal ocorrido em Mato Grosso do Sul. Se não me falha a memória, naquela mensagem a própria vítima relatava que sua morte fora resultado de um engano — o alvo pretendido seria outra pessoa.

 Carta psicografada é prova no Júri?

 TERCEIRO,

Infelizmente, algumas casas espíritas — cuja seriedade é, no mínimo, questionável — chegam a cobrar por esse tipo de serviço. Há, inclusive, sites que oferecem diferentes “pacotes”, com preços variados: cobram adicional por “áudio exclusivo do médium”, pela leitura da carta, por uma “carta extra” e até — pasmem! — pela possibilidade de “se reconectar com Deus”. E, para facilitar a vida do solicitante, aceitam praticamente todas as formas de pagamento: cartões de crédito, boletos, PIX… e assim por diante.

Embora eu não seja um leitor assíduo da Bíblia Sagrada, em Mateus 10:8 está muito claro: “De graça recebestes, de graça dai”, princípio que também orienta o Kardecismo. Em algumas circunstâncias, talvez se possa admitir, com certa tolerância, que o “pagamento” viesse na forma de um ou dois quilos de alimentos não perecíveis. Ainda assim, também respeitosamente, não vejo essa prática com simpatia, pois, em essência, continua sendo uma forma de pagamento.

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QUARTO,

Entendo que existem outras formas de nos comunicarmos com o Outro Plano e com os entes queridos que lá se encontram: por meio de bons pensamentos, boas vibrações e bons fluidos, enviados com sinceridade, sem a exigência de uma contrapartida materializada em manuscritos produzidos por médiuns. Creio que a fé de nós, espíritas, é suficiente para aguardarmos com serenidade o reencontro com aqueles que, antes de nós, retornaram à Casa do Pai — esperança que constitui um dos pilares da filosofia espírita.

Encerro, repetindo o dístico que se encontra no pórtico de alguns cemitérios: “Nós, que aqui estamos, por vós esperamos”. E, como bem sabemos, trata-se de uma espera breve, diante da brevidade (pleonasmo) desta vida terrena,  que passa tão rapidamente…

 

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