A Noite em que Morri — Mas Só em Sonho.
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Há cerca de um mês assisti, no YouTube, ao filme Nosso Lar, o que me levou a reler o livro homônimo, psicografado por Chico Xavier e atribuído ao espírito André Luiz. Mais uma vez fiquei com a mesma impressão de antes: o filme não faz jus à obra.
Numa das últimas noites, antes de dormir, reli o seu último capítulo, que narra o retorno dele à Colônia Espiritual após visitar sua família na Terra — uma experiência que o transforma profundamente. Nesse retorno, ele passa a compreender melhor os desígnios da Providência Divina, vence antigas inclinações egoístas e amplia sua capacidade de fraternidade. Ao final, é oficialmente reconhecido como cidadão da Colônia pelo Ministro Clarêncio, num gesto que, no meu entender, simboliza não apenas uma honra, mas também a confirmação de sua mudança interior e de seu novo compromisso com o bem coletivo.
Pois é. Talvez ainda envolvido por aquela leitura — e somando-se a isso a meia dúzia de psicotrópicos, daqueles de tarja preta, que tomo diariamente por conta de um problema neurológico — naquela noite tive um sonho muito estranho: sonhei que havia morrido.
Mas, no sonho, a recepção do Lado de Lá foi bem diferente daquela descrita no livro ou mostrada no filme. Ali eu não era o protagonista, tampouco o autor principal da história. Fazia parte de um grupo de dez ou quinze “recém-chegados”, todos sendo recepcionados — ao que me pareceu — pelas próprias mães.
Para minha alegria, a minha também estava ali, vestida com um lindo vestido branco e, sobre ele, um jaleco azul. Não eram, porém, cores como as que estamos acostumados a ver por aqui. Tinham uma beleza indescritível. Só posso dizer que brilhavam intensamente — como se possuíssem vida própria.
Depois de saciada a saudade que nos unia, perguntei a ela pelos nossos entes queridos que haviam me precedido. Quis saber por que eles também não estavam ali para me recepcionar.
— Neste primeiro momento, filho — explicou-me com doçura —, só é possível a presença de um de nós, geralmente as mães, ou então algum outro ser muito querido do espírito recém-chegado.
— Vou tentar explicar o porquê a presença deles não é permitida neste instante. O seu campo vibracional ainda traz os fluidos grosseiros da vida terrena e conserva a densidade própria daquele planeta, que ainda atravessa uma fase de transição, para tornar-se um mundo de regeneração — onde o mal não terá mais domínio e a paz haverá de prevalecer. O “choque” entre a sua aura e a deles, neste momento, poderia ser bastante prejudicial ao seu perispírito.
— Isso não é de difícil compreensão — respondi. — Mas, pelo que percebo, há aqui vários templos: uma igreja católica, outra evangélica, um templo budista, sinagoga, mesquita… e até um deles com o símbolo da umbanda em seu pórtico — a Estrela-Guia de cinco pontas. Qual a razão disso?
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— A presença “física” desses templos que você vê — explicou ela — reflete a busca humana pela espiritualidade nas diferentes religiões. Neste estado em que você se encontra, despertando após o desencarne, cada espírito se depara, em primeiro momento, com aquilo que foi a sua fé, a sua crença, durante a vida terrena.
Assim, os kardecistas costumam ser recepcionados por seus mentores ou guias espirituais; os católicos encontram, em sua igreja, um sacerdote que os acolhe in persona Christi, ouvindo-lhes a confissão e concedendo o sacramento da Reconciliação — como se fosse um passaporte para o Céu; os evangélicos mais fervorosos veem o Salvador descendo das nuvens, descalço e envolto em seu impecável manto branco; já os umbandistas encontram seus orixás — sobretudo Omulu, Nanã e Iansã.
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- Tudo isso, filho, é uma forma de acolhimento. É o modo pelo qual cada espírito, ainda ligado às referências da vida que deixou para trás, vai sendo preparado para compreender, aos poucos, que a Verdade é maior do que qualquer templo. É a Unidade na Diversidade.
Devo ter sonhado ainda com outras coisas, além de ter recebido algumas explicações a mais. Mas, como acontece com tantos sonhos, os detalhes foram se dissipando pouco a pouco.
Acordei.
E, felizmente (?), não tinha morrido…
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