Os Animais nas Escrituras.
Conforme havia adiantado, estou dedicando o dia de hoje à pesquisa de passagens bíblicas que mencionam os animais. Para tanto, recorro à internet — recurso que, convém reconhecer, nem sempre prima pela confiabilidade. De fato, o onisciente mestre Google tanto ensina a cozinhar um ovo com prestância quanto, no mesmo fôlego, a fabricar uma bomba atômica na garagem. Por isso, para qualquer consulta minimamente sensata, é preciso saber ao menos o que se procura; do contrário, corre-se o risco de encontrar respostas… digamos, duvidosas.

Não sendo eu um estudioso das Escrituras Sagradas — e conhecendo-as apenas de
forma superficial —, a tarefa que me propus revela-se, desde já, uma missão
espinhosa.
Como uma especial amiga enviou-me recentemente uma bela frase bíblica extraída do Livro de Provérbios, começarei por ele:
“O justo cuida bem dos seus animais, mas o coração dos ímpios é cruel” (Pv 12,10).
A meu ver, este versículo ensina que a
compaixão e o cuidado com os seres vivos — incluindo os animais —são reflexos
diretos da retidão e do caráter justo, enquanto a crueldade denuncia um coração
endurecido, incapaz de reverenciar a criação de Deus. Sugere ainda que a forma
como tratamos os mais vulneráveis, sejam pessoas ou animais, revela quem
realmente somos e qual é, de fato, a nossa reverência pelo Criador.
Está na Bíblia…
Não exatamente nesta ordem dos livros
sagrados, encontramos em Deuteronômio 25,4: “Não atarás a boca do boi
quando pisa o grão.”
O princípio é claro: quem trabalha tem direito ao sustento - regra aplicada tanto aos homens quanto aos
animais. Está na Bíblia…
Nos Provérbios de Agur (30,24–31), a
Escritura recorre novamente ao mundo animal para transmitir sabedoria: pequenos
animais são apresentados como exemplos de prudência e organização, enquanto
criaturas maiores simbolizam força e autoridade. São lições de vida extraídas
da observação da natureza, onde até os seres considerados insignificantes
ensinam mais do que muitos homens.
Está na Bíblia…

Ainda em Provérbios 12,10 lê-se: “O
justo atenta para a vida dos seus animais.”
Atentar, como se sabe, é um verbo de múltiplos sentidos; aqui, porém,
significa prestar atenção, cuidar, observar com responsabilidade. Não se trata
de uma metáfora piedosa ou de um recurso retórico ornamental, mas de um critério
moral. Nesse provérbio, a Lei bíblica pressupõe descanso, alimento e
socorro aos animais, afirmando que o uso jamais pode converter-se em crueldade.
O domínio humano sobre eles, portanto, não é absoluto, mas fiduciário: o
homem não é proprietário, é guardião. Recebe-os para preservar, não para ferir;
para zelar, não para explorar sem limites. Está na Bíblia…
No Novo Testamento, Cristo não apenas
confirma, mas aprofunda esse princípio. Nenhum pardal cai sem o olhar do
Pai (Mt 10,29); nenhum sofrimento é pequeno demais para escapar à misericórdia
divina.
Quando Jesus autoriza o resgate de um animal mesmo em dia de sábado (Lc 14,5),
ensina, de forma inequívoca, que a compaixão precede o formalismo. A lei existe
para servir à vida — e não para sufocá-la. Onde a norma esquece a vida, a
própria lei se desfigura e se trai.
Está na Bíblia…
Há muitas outras citações, tanto no Novo quanto no Velho Testamento, mas permito-me parar por aqui. Mas ela (Escritura) vai além do presente e aponta para o fim: toda a criação geme, aguardando redenção. Não apenas o homem, mas o mundo vivo participa do destino que Deus promete restaurar. Desprezar os animais é desprezar parte da obra que será revelada.
Em síntese, como se vê, a Sagrada Escritura não trata a vida animal como acessória. Desde o princípio, os animais são apresentados como criaturas desejadas por Deus, declaradas boas e incluídas no cuidado divino. Antes de qualquer utilidade, há valor; antes do domínio humano, há um sopro que não nos pertence.
Assim, cuidar deles não é sentimentalismo moderno, nem concessão cultural. É coerência bíblica. O justo não idolatra o animal, mas tampouco o reduz a coisa. Ele sabe que a vida que passa por suas mãos — mesmo silenciosa — o observa e o forma.
Há, portanto, uma pedagogia do cuidado. O animal não fala, não reivindica, não se defende — e exatamente por isso educa o coração humano. A crueldade endurece; a atenção amolece. Quem aprende a ser fiel no pequeno treina a alma para a justiça no grande.
Talvez por isso Deus tenha tido compaixão da cidade de Nínive — de seus muitos habitantes e também de seus animais, que não sabiam discernir o bem do mal, como recorda o Livro de Jonas. Está na Bíblia…
Era isso. E é com muito
orgulho e alegria que encerro dizendo que sou ativista
pela causa deles.
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