"EU QUERO SORVETE DE LIMÃO PRA COMER, O MEU PROBLEMA..."

 

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 Num dia desses, passou na minha rua um garoto — coisa de doze ou quatorze anos — vendendo sorvete. Quando chegou à frente do meu portão, abordei-o perguntando se tinha determinado sabor. A resposta foi negativa, mas o que me surpreendeu mesmo foi o tato comercial daquele menino. Com a desenvoltura que tinha para se comunicar, não tive dúvida: ele venderia até picolé de chuchu — caso existisse tal sabor. Aliás, conseguiu me vender três de limão, que nunca figurou entre os meus prediletos.

— Qual é o seu nome, filho?
— Tomás, doutor.
— Não sou doutor, Tomás. Apenas senhor. Meu nome é Dorotheu.
— Nossa! Que nome bonito, seu Dorotheu.

Mentiroso. Mas, confesso que ganhei o dia ali.

— Quais sabores você tem?

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— Restaram três dos melhores que vendi hoje.
— Quais?
— De limão.
— Que pena… desse eu não gosto.
— Não tem problema. Vou vende-los pro médico do Postinho. Ele sempre compra. Vive dizendo que limão é rico em vitamina C,  ajuda na digestão, é bom pra gripe, pra pedra nos rins e serve até como viagora

— Não é viagora. É viagra. Você sabe pra que isso serve?
— Parece que é igual a ovo de codorna.

Pensei por alguns segundos.

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— Pensando bem, fico com os três.
— Ótima escolha!
— É que nos últimos dias tenho tido certa dificuldade na digestão.

Com certeza, aquele rapazinho tinha tino para  negócio. Quando eu era um pouco mais novo do que ele, também fui vendedor de sorvete — não tão promissor, é verdade. Antes disso, fui engraxate, vendedor de frutas, de verduras, de doces… Mas, cada uma dessas “profissões” comporta uma crônica própria.

Por ora, fico por aqui.

A propósito, minha performance digestiva melhorou consideravelmente após aqueles sorvetes de limão. Recomendo…

 

 

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