"A VIDA É FEITA DE PEQUENAS CONQUISTAS"

Como já disse aqui — e sem qualquer pretensão de posar de herói sofredor — fui obrigado a começar a trabalhar muito cedo. Aos seis ou sete anos (isso mesmo!), trabalhei em um box de frutas no Ceasa de Londrina e, quando o movimento estava fraco, saía a vender verduras de porta em porta, com uma cesta de vime a tiracolo. Aos oito, engraxava sapatos; aos nove, vendia sorvetes e doces; aos doze, tornei-me guarda-mirim. Logo em seguida veio o seminário — um divisor de águas na minha vida, um verdadeiro oásis no deserto: cama, comida, roupa lavada, chuveiro quente e até piscina. Não há vocação que não resista a tudo isso…
Aos dezesseis, Bamerindus… Aos dezessete e meio, CPD Maringá e a vida em república estudantil. As lembranças daquele período são boas: conseguia enviar parte do salário para a minha mãe, coloquei meu currículo escolar em dia e até comprei um carro — não era um fuscão preto; era um fuscão azul. Mas, de todas as pequenas conquistas daquele tempo, a maior delas, indubitavelmente, foi ter conhecido uma pessoa formidável chamada D… Tive a sorte e o privilégio de tê-la como namorada. Namoramos por cinco anos e tenho plena consciência de que não durou mais porque eu, evidentemente, não estava à altura dela. Bonita, simpática, carismática, extremamente inteligente — daquelas que tiravam 10 em Cálculo I com a maior naturalidade. Quando a conheci estava no último ano da sua graduação, enquanto eu ainda comemorava a aprovação no vestibular como quem ganha uma final de campeonato. Fez mestrado, doutorado e, pelo que soube algum tempo atrás, continua produzindo ciência em uma Universidade Federal. Sê feliz, D… Você merece.
Mas o que eu pretendia dizer aos meus filhos nesta crônica é simples: nunca desista dos seus objetivos.
Enquanto estiver vendendo verduras, algo melhor pode estar a caminho, talvez engraxar sapatos. Quando estiver engraxando sapatos, algo melhor pode surgir – talvez vender sorvetes. Vendendo sorvetes, quem sabe o próximo passo seja vestir a fardinha de guarda-mirim. E quando ela já não couber, pode vir a vida de seminarista. Quando a vocação desistir de você — ou você dela —, talvez o destino reserve um Centro de Processamento de Dados em Maringá. E quando a certeza chegar de que não haverá realização como bancário, algo melhor ainda pode aparecer: um curso de Direito. Quando a advocacia se mostrar difícil, pode surgir um concurso — seja para assessor jurídico no então Tribunal de Alçada, hoje extinto, seja para professor auxiliar de ensino em Prática Forense em Faculdade privada.
Meu amigo, tenho preenchido meu tempo escrevendo, mas hoje já falei demais. Escrever, para mim, tem sido uma espécie de terapia ocupacional e, por isso, peço desculpas por lhe enviar esses escritos sem antes pedir licença…
Perdoe-me por isso…
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