"A ESPADA DO MESTRADO"
Na noite que passou, tive um sonho daqueles que chegam sem pedir licença. Nele, eu estava novamente com a minha turma do mestrado, perdido entre as disciplinas obrigatórias dos créditos — um cenário que, por si só, já seria suficiente para acelerar qualquer batimento cardíaco. Mas havia mais.
Na sala de aula, sobre minha cabeça, acho que em razão de minhas limitações intelectuais, pendia a célebre Espada de Dâmocles, suspensa por um fio de crina de cavalo tão gasto que parecia sussurrar: “Estou de olho em você.”
Para quem não se lembra, a “Espada de Dâmocles” é aquela velha metáfora grega usada para ilustrar ameaças iminentes, sempre à espreita das cabeças que insistem em não se manter muito centradas — ou que ousam sonhar demais.
A minha tinha até nome próprio. Era afiada, reluzente e atendia pelo terror acadêmico conhecido como Filosofia do Direito. Apesar do nome pomposo, tive de cursar aquela disciplina duas vezes até conquistar o escore mínimo para aprovação — um feito que, à época, por ter quase me acabado de estudar, considerei digno de ser registrado em pedra. Não conclui todos os créditos – apenas dezoito dos vinte e quatro.
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Mas, voltando ao “sonho” — modo de dizer, porque aquilo estava muito mais para um pesadelo com roteiro próprio. Nele, a polícia irrompia pela sala, no meio da aula, como se estivesse cumprindo uma operação cinematográfica. Sem aviso, éramos todos presos — os dez mestrandos e, para meu espanto, até o rigoroso professor daquela disciplina. O motivo? Plágio acadêmico. Assim mesmo, no plural coletivo, como se fôssemos uma quadrilha especializada em copiar e colar pensamentos alheios.
Adivinhem o que aconteceu naquele momento com a crina que segurava a espada sobre a minha cabeça? Isso mesmo: rompeu-se. Num estalo seco, definitivo.
E então? Bem… aí acordei.
Felizmente, até os pesadelos — como quase tudo na vida — têm começo, meio e fim. Não sei qual seria a explicação de Freud para esse episódio. Talvez ele enxergasse algum simbolismo oculto, alguma tensão recalcada, e certamente daria à cena uma conotação sexual, como sempre fazia…
Moral da História: no fim das contas, percebi que o verdadeiro perigo nunca foi o risco de a espada cair, mas a lembrança cruel de que os créditos do mestrado perseguem-me até hoje em meus sonhos. Pesadelos passam; já o fato de quase não ter sido aprovado na segunda chance na disciplina de Filosofia do Direito… esse permanece como uma sombra eterna, pronta para surgir toda vez que o subconsciente resolve brincar comigo.
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