"MINHA MÃE"
Hoje vou pedir-lhe permissão para falar sobre minha mãe.
Antes de tudo, ela foi uma heroína que, mesmo semi analfabeta e sem qualificação para nenhuma profissão condigna, sozinha criou quatro filhos. Meu pai abandonou a família quando eu tinha treze anos. Já falei dele aqui. Ela trabalhava de segunda a sexta como servente em um Órgão público; aos sábados era diarista, limpando casas; e seus domingos eram preenchidos com a lavagem de nossas poucas roupas e outras atividades domésticas.
Foi graças ao esforço e perseverança dela que consegui estudar. Em todas minhas séries escolares acompanhava meu rendimento nos estudos, travando relação de amizade com minhas professoras, que, às vezes, também viravam suas “clientes” como diarista.

Numa ocasião, coisa de moleque, envolvi-me numa briga no colégio e apanhei duas vezes – do meu oponente e dela. Tinha um surrado e temido cordãozinho de ferro elétrico para aqueles momentos, que era um fabuloso psicólogo escolar.
Era muito querida por suas patroas dos sábados e, volta e meia, levava-me junto naqueles dias. À época, os invernos curitibanos eram muitos rigorosos e num daqueles sábados o dia estava extremamente frio e, como não tínhamos roupas suficientemente adequadas para manter o corpo aquecido, chegamos na casa onde trabalharia “engelhados” – quase congelando e tremendo muito de frio (perdoem o pleonasmo).
Aí ocorreu uma coisa fabulosa e comovente, sua patroa naquele dia, dona Jane, depois de nos fazer aquecer num fogão a lenha econômico e nos brindar com um fausto café, pagou sua diária (cinco cruzeiros) e a dispensou do serviço naquele dia. Fez mais: levou-nos de retorno à casa no seu Gordini azul.

Abençoada seja a senhora, dona Jane, por tão bonito gesto; e abençoada seja a senhora dona Paulina, que com certeza fez por merecer tamanha demonstração de amizade.
Ambas já estão no céu, onde certamente os invernos não são rigorosos…
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