"UM GRANDE SER HUMANO"

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Embora escreva mal, escrever tem me servido como terapia ocupacional nesse período de convalescença. Obrigado por estar me lendo e também me perdoe por estar entupindo seu whatss ou seu endereço eletrônico com meus escritos. Por favor, sinta-se à  vontade para fazer uso do ícone da lixeira quando bem  lhe aprouver. Vou entender e, “a amizade continua a mesma.” 

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Mesmo achando a ufologia um tema fascinante, penso que a afirmativa “Eles estão entre nós” não é exclusividade para os ETs dos   ufólogos. Religiosidade à parte, ela, no meu entender,    cabe também para alguns terrestres que passam por nosso planeta, deixando nele um rastro bom, muito bom. Têm eles espírito forte, elevado, com um grande saber e ao mesmo tempo são humildes, muitos humildes...  Algumas religiões os chamam de almas elevadas, espíritos luminosos ou, ainda, de seres diferenciados. São também puros de coração, muito puros... Está na bíblia – “Bem aventurados os puros de coração porque verão a Deus” – Mt 5,8”; ou ainda, em Reis 3:12 – “Eis que te faço conforme a tua palavra; dou-te um coração sábio e inteligente (…).”  Para constar, novamente com religiosidade à parte.

Fui agraciado nesta jornada de minha vida,  com o grande privilégio de os meus passos se cruzarem com dois seres humanos  dessa estirpe. Sobre um deles já falei aqui – foi meu professor de medicina legal. A respeito do segundo, que foi meu professor de direito penal IV,   vou falar agora. É uma história bonita:

 Fusca para Colorir

Na década de sessenta, do século passado, ele militou na política. Foi prefeito em uma cidade de médio porte no centro oeste do estado,  onde   até hoje  é tido como o maior e melhor prefeito que ela já teve. Basta dizer que, quando acabou seu segundo mandato, ganhou um fusca de seus munícipes, como demonstração de carinho e agradecimento pelas suas gestões. Detalhe, o povo empurrou o carro até sua casa. 

Vale dizer, nunca trocou de carro e  usou aquele fusca pelo resto de sua vida. A avenida central daquela cidade leva o seu nome.

 

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Após àquela época, ingressou na magistratura federal e, quando esteve lotado em Curitiba, lecionou direito penal em minha Faculdade. Foi quando o conheci, nos idos anos oitenta. Convidei-o para meu casamento; ele não foi,  mas datilografou, em máquina de escrever mecânica, um lindo texto falando do matrimônio, texto este que guardo até hoje. 

Vamos desenhar a carteira escolar! | MediBang Paint - the ...

Numa de suas aulas – era um professor bastante didático, mas também  muito rigoroso – uma colega de classe, sentada na carteira à frente de um “espírito de porco”, foi perturbada por este e, quando se virou para ver o que era, o professor pegou-a no flagra e a repreendeu. A moça, para surpresa de todos, levantou-se: “não foi culpa minha professor, foi culpa do energúmeno que está sentado atrás de mim”. “E, a propósito: por que o senhor sempre chega atrasado para dar suas aulas?”  O resto da turma ficou estupefata  – era uma briga entre um David sem sua funda e o Golias. O mestre não retrucou, silenciosamente virou-se para o quadro negro e escreveu sobre quais artigos do código penal seria a matéria da aula. Na terça  feira seguinte, foi o primeiro a entrar na sala: “devo desculpas para cada um dos senhores, e especialmente pra senhora (…). Sempre era muito formal. “Como minha agenda de audiências está atrasada, vi-me forçado a fazer uma a mais por dia, e que, mesmo o prédio da Justiça Federal em sendo relativamente perto daqui, calculei mal o tempo necessário para seu percurso.” “Não vai mais acontecer.” Não aconteceu mesmo.… 

EDISMAR ARAÚJO: VIATURAS POLÍCIA FEDERAL

 A criação de pequenas lendas e mitos a respeito de seres notáveis, é uma prática universal. Com ele não foi diferente. Vejam duas delas:

A primeira, dizem, foi quando ele esteve no Detran para ver algum assunto inerente ao seu fusca. Como era de se esperar, não fez uso do “carteiraço” e pacientemente obedeceu a fila existente para o guichê  de atendimento. Após longa espera, chegou sua vez de ser atendido, eram onze e quinze da manhã e aquele serviço funcionava até às onze e meia, conforme cartaz informativo, afixado na parede. E então, para sua surpresa, o servidor que fazia o atendimento se negou a atendê-lo, em razão do horário. “O senhor me perdoe,  mas o aviso ali diz que o atendimento é até às onze e meia, e agora são onze e quinze.” Sim, é, mas eu sempre saio alguns minutos antes porque tenho que apanhar minha caçula na escola.”. “Com todo o respeito pelo senhor e para com sua filha, mas, mesmo com uma agenda muito apurada, fiquei na fila por quarenta minutos”. “Desculpe-me,  mas não consigo ler seu crachá de identificação. Qual é o seu nome?” “Meu nome é seu Onório, e já lhe disse que não vai dar tempo para eu atendê-lo, volte após as treze e trinta.” “Eu não tenho condições de retornar naquele horário, pois vou estar numa audiência”. “O senhor parece não entender bem as coisas, deve ser por isso que vai numa audiência”. “Vou repetir: à uma e meia”.  “Até lá.” E fechou o guichê... De volta a seu gabinete na justiça federal, pediu à secretária que ligasse para o delegado da PF de plantão. “Aqui é o juiz (…), quero que logo após a uma e meia, envie dois agentes numa viatura caracterizada ao Detran, e conduzam o funcionário “seu Onório” até meu gabinete.” ”Ele trabalha no guichê de atendimento ao público.”

Passado algum tempo – “Dr. (…) o senhor Onório já se encontra aqui.” Devemos levá-lo  ao seu gabinete?” “Não, ponham-no  sentado  ao lado da minha porta e deixem-no  lá.” “Outra coisa: dispensem os dois agentes e digam a eles que os quero aqui de novo por volta das cinco e meia”. Isso foi em torno das duas e vinte da tarde. Exatamente as quinze pras cinco, pediu que o conduzissem à  sua presença. Quando o pobre e apavorado “seu” Onório entrou no gabinete e o viu, seu sangue gelou. Faltou chão para seus pés. “Boa tarde, senhor Onório”. “Com certeza o senhor está lembrado do nosso encontro no final dessa manhã.” “Trouxe-lhe aqui para  lhe falar a respeito da função social do servidor público, mas, inobstante nosso expediente encerrar-se às dezessete horas, tenho que sair quinze minutos antes, para apanhar minha neta no colégio.” “Com certeza o senhor vai entender isso.” “Vamos ter que remarcar nosso “profícuo” encontro para outra hora.” “Não precisa se preocupar com sua locomoção.” “Daqui a pouco os agentes estarão aqui para leva-lo de volta ao Detran…” 

 

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A outra é mais trivial – comenta-se que no início de uma noite chuvosa, ele tentava atravessar uma rua, que estava com o sinal verde para os pedestres, mas um táxi, sem razão aparente, estava parado exatamente  na faixa deles. Abriu sua porta traseira e entrou nele. “Pra onde, senhor?”. “Para nenhum lugar, moço, só estou querendo atravessar a rua.”  Deixando o motorista boquiaberto, saiu pela outra porta…

Quando tive um pequeno livro publicado, presenteei-o com um exemplar. Como agradecimento, fez-me uma bela mensagem, opinando  sobre cada capítulo dele. Fui eu o presenteado.

Em abril de mil novecentos e noventa e dois foi nomeado Ministro do Superior Tribunal de Justiça, onde permaneceu até sua aposentadoria compulsória, no ano de dois mil e dois.

Uns oito ou nove anos depois de sua aposentadoria, quando andava,  sem rumo e sem prumo, pelas ruas de Curitiba, tive a sorte de passar em frente a sua casa. Encontrava-me então em estado lastimável – barba de um mês, pesando sessenta quilos (meu normal era setenta e oito), usando chapéu de palha mexicano para proteger o local da cirurgia de raios solares e, quiçá, com higiene pessoal deixando a desejar – a depressão é algo terrível. Acolheu-me como se eu fizesse parte do rol de seus amigos mais chegados. Fez-me entrar e sua esposa (não a conhecia) preparou-nos um fausto café da tarde. Conversamos por mais de uma hora e, na despedida, disse-me para voltar lá uma vez por semana – agendou pras quintas feiras às quinze horas.

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 Foram memoráveis encontros para café. Num deles, mostrou-me seu escritório. Na parede  atrás de sua escrivaninha havia uma foto de uma moça muito bonita. Fui atrevido e perguntei quem era ela. “Minha mulher”. “É assim que eu a vejo até hoje.”

Em uma das vezes mostrou-me o interior de seu icônico fusca. Falou também um pouco de sua vida. Fiquei sabendo, por exemplo,  que ele fez CPOR no exército no início da década de cinquenta (para oficiais da reserva); que na juventude fora goleiro e que, por aqueles anos, também venceu um concurso de oratória de âmbito nacional, e que, por aquele feito, ganhou uma medalha de ouro. Sou meio adverso do Jung e da psicologia analítica, mas nossos encontros serviam para mim como análise emocional.

 22 ideias de Carl Gustav Jung em 2025 | carl jung, psicanálise, psicologia

Algo que nunca vou esquecer: num deles, próximo às festas natalinas, ocorreu de eu estar em sua casa, quando chegou de viagem seu filho, um diplomata servindo no exterior, com a mulher e seus filhos pequenas. Houve atraso no voo deles, pois a chegada estava prevista para a parte da manhã. ‘Meu amigo, o filho chegou”  “Vou dar um beijinho nos netos e já retorno para continuarmos nossa conversa.”. “Imagina, professor, eu estou de saída”. “Não, fique, o senhor está no seu horário.” “Mesmo sem terem dado motivo, são eles que estão atrasados.”

 Morre Milton Luiz Pereira, ministro aposentado do STJ - Espaço Vital

Trata-se do Ministro Milton Luiz Pereira, que faleceu aos 79 anos, em 2012, cuja morte ocorreu apenas poucas horas após o falecimento da moça bonita do retrato, a dona  Rizoleta.

Era um casamento espiritual. Ele merecia…

 

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