OS ANJOS SEM ASAS
Gosto muito de animais. Sempre gostei. Sou ativista da causa e, portanto, suspeito para o que passo a narrar. Convém também dizer que não sou fã de discussões filosóficas, que debatem acerca deles terem uma alma, ou não. Este é um tema profundamente filosófico e espiritual, dependendo muito das crenças espirituais, culturais e religiosas de cada um. É um assunto delicado e até melindroso, que deve ser tratado com cuidado. Algumas religiões, como o hinduísmo e o budismo, por exemplo, acreditam que sim. No cristianismo, infelizmente a visão tradicional é de que apenas os seres humanos têm alma imortal, embora já haja divergência. Alguns teólogos e cristãos modernos defendem que eles têm alma, ainda que de uma forma diferente da nossa. Não sei quão grande é essa diferença. Respeitando muito quem pensa em contrário, não gostaria de ir para um Céu, um Jardim do Éden, um Oriente Eterno ou qualquer outro Paraíso Celestial, se não for reencontrar lá esses amiguinhos tão especiais, com os quais tive o privilégio e a graça de tê-los tido como companheiros em sua jornada por este mundo – com alma ou sem ela! Só para constar, lá vou querer ver em qual nuvem o Bob tá enterrando os ossos que roubava dos outros vira-latas aqui na terra…
Tinha três “casos” para contar sobre eles, mas desta feita direi só um. A introdução ficou muito longa. Na verdade, eu vou recontar a história que me foi dita por uma professora de certa idade, cunhada e acácia na Ordem e dona de uma conduta ilibada. Não era de sua natureza mentir – não ganharia nada com isso.
Olha o que ela me disse:
“Há bastante tempo, nós tivemos uma gatinha preta que pariu seis filhotes. Estavam alojados numa caixa de papelão na área de serviço, perto do tanque e com livre saída pra rua. Numa tarde um daqueles filhotinhos caiu no tanque e se afogou. Naquela noite precisei ir naquela dependência para tirar a roupa que estava na máquina de lavar e o que presenciei é uma coisa que jamais esquecerei: havia uns cinco ou seis gatos de rua, formando um círculo e no centro dele estava a gatinha que perdera o filhote. Não interrompi. Saí dali nas pontas dos pés. Era como se eles estivessem prestando solidariedade a ela. Talvez estivessem…”
Ficam pra próxima as outras duas histórias…
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