O AMOR É LINDO!
Eu, de novo. E para falar outra vez da minha musa. Sei que já estou ficando maçante, mas é que trata-se de uma paixão de quarenta e cinco anos. Impossível contar o que foi tudo isso com poucas palavras. Precisaria de pelo menos uns dois ou três volumes daqueles livros bem grossos. Hoje nós dois somos sexagenários. Para mim ela mantém todos os belos traços da juventude, apenas com algumas pequenas rugas, fruto do bonito processo de envelhecimento de quem teve uma vida profícua e sadia. Musa não tem idade. Eu tenho, mas nada que não possa ser remediado com um beijo de princesa. Ele foi tão poderoso e eficaz pro feioso sapinho, quanto mais para mim. Afinal, o “espelho, espelho meu” insiste em dizer que ainda sou bonitinho. Não fala por mal – com certeza desconhece o eufemismo de que bonitinho é o feio arrumadinho. Não sabe mentir. Mas vamos ao que interessa – a minha Dulcinéia do Don Quixote. Caso hoje me encontrasse num divã Freudiano, ia querer entender uma coisa: o que leva um apaixonado – não correspondido – a viajar mais de três mil e duzentos quilômetros com a intenção de ver e passar um final de semana com a amada, num provável amor platônico? Só louco. Eu fiz. E pior, Don Quixote tinha o seu pangaré Rocinante para ir Espanha adentro no encalço de sua paixão. Eu não. Ainda não atuava na profissão por isso fui de busão. Quase três dias de viagem. O amor é lindo!
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No ônibus conheci uma cigana que também estava indo para Fortaleza. Por conta de algumas refeições ela leu minha mão. A direita; elas nunca leem a esquerda. Enquanto fazia seu serviço lendo as linhas daquela mão devo ter dito alguma coisa sobre um amor não correspondido e que estava viajando para lá para surpreende-la com a minha presença. “Quando ela vir o senhor vai ficar de boca aberta”. Ficou mesmo:
“Olha quem tá aqui‼”
“Tô vendo! Não acredito!”
“Esta é a primeira viagem longa que faço sozinha e você aparece do nada para “cuidar de mim.” “ Vaza”. “Pode voltar”.
Mais três dias de ônibus de volta à casa.
Quem ama sofre. Don Quixote que o diga. Sofreu mais com a amada dele.
Mas não desistirei. Vou continuar escrevendo sobre ela. Aguardem…
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