A DULCINEIA DEL TOBOSO DA UEM.

 Fotos Cupido | Freepik

Há alguns dias atrás falava sobre alguns capítulos do livro de minha vida.

Hoje vou relembrar de outro deles. O que tenho a dizer não é coisa triste, pelo contrário – é uma coisa mágica, divertida e fabulosa. Trata-se de uma paixão que tive e, acho eu, não foi correspondida. Mas não faz mal, foi como se tivesse sido. Dizem que paixão tem pouca durabilidade, que é efêmera. Não foi o caso. Sou felizardo,  pois a minha dura até hoje. Quase bodas de ouro.  A donzela em questão é a minha Dulcineia del Toboso, do maluco e estrambelhado cavaleiro Don Quixote.  Basta pensar nela que meu cérebro ainda  libera dopamina e provoca uma sensação de felicidade e prazer que só quem já se apaixonou pode sentir. Não é à toa que essa substância química é conhecida como molécula do amor.  Tudo começou no dia da minha matrícula na Universidade, aos vinte e dois anos de idade. Estava na fila para cumprir com as burocracias, quando encontrei uma moça que iria ser minha colega de curso. Ela estava acompanhada de uma prima, que se encontrava ali com o mesmo objetivo, mas ia se matricular em um curso diferente do meu. Ela passara no vestibular para o curso de Farmácia, um dos mais concorridos, diga-se de passagem. Era uma loira estonteante – quase tão alta como eu, com meus um metro e oitenta e cinco. Dona de grandes e bonitos olhos e um encantador sorriso. Além disso, acho que devo ter  algum fetiche embutido com relação ao tom de voz das moças, e o dela foi sedutor à primeira vista. Primeira vista, não; primeira audição. Sua voz era doce, muito doce.  Na época a disciplina de educação física era facultativa para o acadêmico que trabalhasse, como era o meu caso. Pois é, ali fiz uma coisa que nunca contei pra ninguém. Quando a vi optando naquela disciplina por natação no horário das dezesseis e trinta horas, não tive dúvida, abri mão do meu privilégio de aluno trabalhador e matriculei-me na mesma turma. Poucas vezes tomei uma decisão tão acertada, apesar de ser péssimo nadador. Um engolidor de água de piscina. Nossa professora era uma simpática e agradável japinha (com tom carinhoso e nada a ver com tratamento pejorativo). O nome dela era curto, Kiey ou qualquer coisa assim. Não dá para se lembrar de tudo, afinal isso foi há quarenta e cinco anos. Nossa turma de natação naquele horário era pequena, com umas quatro ou cinco almas. Uma delas era um estudante  de agronomia. Um “saradão” digno de fazer inveja aos musculosos  tatuados do big brother. Não se deve ter ciúmes de musas por quem a gente  se apaixona. Mas eu tinha – principalmente quando ele salivava ao olhar para o maiô dela.   A moça por quem o cupido me flechou e que foi o motivo de ir me engasgar com o cloro daquela piscina logo demonstrou ser boa nadadora. Enquanto eu, abraçado com uma prancha de isopor, lutava para não morrer afogado, ela nadava de braçadas – no sentido literal da palavra. O seu forte era o nado de costas. Numa ocasião a agradável professora promoveu um torneio entre nós, objetivando incentivar as aulas. Minha adorada competia nadando de costas, mas não havia as bandeirolas para demarcar as raias. Então não se fez de rogada: no meio da piscina parou, ficou em pé, olhou para a borda de chegada e voltou a nadar. Mesmo assim ficou em primeiro lugar, com direto a pódio, medalha e tudo mais. Só por Deus! Ela morava em uma cidadezinha próxima e às vezes a sorte me sorria, fazendo-a perder o ônibus das cinco e trinta. Era quando eu a levava em casa em um velho passat. Numa daquelas ocasiões ela demonstrou não ser apenas uma musa. Era mais. Foi o seguinte, como eu ia ter uma prova de disciplina difícil naquele dia, ela espontaneamente pegou meu caderno e foi lendo em voz alta a matéria enquanto eu dirigia. Este foi só um exemplo de que ela era bela por dentro e por fora. Como percebo que só um capítulo é pouco para relembrar os momentos agradáveis que tive com ela, vou encerrar este por aqui e na sequência escreverei outro (ou outros…)

Dom Quixote - Arena Marcas e Patentes

 

E continua…               

 

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

"A COLÔNIA AZUL"

"ENQUANTO AINDA POSSO ESCREVER"

“Pequenas coisas… grandes abalos”