Nosso Amigos Animais.
Em razão do meu estado de saúde, atualmente meu mundo se restringe ao interior da minha casa e ao quintal. É como se usasse tornozeleira eletrônica sem ter praticado crime. Mas, tudo tem seu lado bom. Como tenho uma afeição muito grande pelos animais, tenho ocupado a ociosidade do tempo a observá-los. Observá-los e admirá-los. No peitoral externo da minha janela do banheiro, por exemplo, um simpático casal de pombinhos ali fez seu ninho. Batizei-os de Florisbela e Joaquim. Enquanto ela chocava, ele sempre estava por perto, ora pousado no muro, ora pousado nos fios da rede elétrica. Era como se fizesse a segurança e a proteção dela – talvez fosse. Dos ovos de Florisbela saíram dois filhotes. Um robusto e forte e o outro mais minguado. Aquele logo fez seu vôo solo, mas esse não teve nem força nem coragem para imitá-lo. Caiu do ninho e sobreviveu no chão por dois dias. Durante aquele tempo Florisbela fez inúmeros vôos rasantes em torno dele, mas foi em vão. Ele não conseguiu. Ela só foi embora quando teve a certeza de que aquele filhote sucumbira. Até pensei em tentar ajuda-lo enquanto ele vivia, deixando um potinho de água e outro de alpiste perto dele, mas não fiz – A lei de Darwin pode não ser perfeita, mas a da natureza o é. Tudo deve ter uma razão de ser...
E tem também a família dos gambás. Sobre eles não cabe bem o adjetivo fofinhos. São feiosinhos, coitadinhos. Mas, como dizem, a beleza está nos olhos de quem vê… Fizeram seu ninho no quintal dos fundos. O nome dela é Abigail e o dele é Afonso. No início das noites costumo deixar pequenas frutas para eles. Recentemente Abigail teve nove filhotes. E ela carrega todos eles nas costas, no dorso. Quando vêm jantar ela se abaixa e eles descem dali e vão comer. Ela só come depois deles estarem alimentados. Ás vezes o Afonso também vem junto, mas ele é meio tímido. Ainda não está habituado com a minha presença. Outro dia vi uma cena inédita. Quando veio jantar, Abigail estava só com um dos filhotes nas costas. Ele estava machucado. Devia ter sido coisa de gato ou cachorro. Pois bem, ela pegou-o com a boca e o colocou perto das frutinhas. Depois de ele estar devidamente alimentado, colocou-o novamente nas costas e retornou ao ninho, que fica num pequeno paiol abandonado. Passados alguns minutos ela voltou, desta feita com os outros oito famintos se equilibrando em seu dorso. Deu prioridade no jantar ao mais fragilizado…
Comentários
Postar um comentário