"O Sortudo"
O sindicato dos trabalhadores em estaleiros ganhara dos armadores, como cortesia, três passagens na 1ª. classe no transatlântico recém construído, que seria batizado na próxima semana. Essa doação era um costume no meio dos ricos armadores-proprietários, como também era costume o sindicato sorteá-las entre seus aproximadamente quinhentos sindicalizados.
Dentre eles estava o sr. Jonny Smith, empregado muito antigo e campeão em acidentes de trabalho. A sorte nunca fora sua amiga. Nunca ganhava em nenhuma aposta ou sorteio. Era um verdadeiro azarão. Alguns de seus colegas, em tom judicioso, o chamavam de “Jonny, o sortudo”. Talvez por isso ele mesmo não acreditou quando soube que fora sorteado com uma das três passagens – com direito a acompanhante.
Foi difícil para o casal Smith administrar a ansiedade durante a semana que antecedeu a tão esperada viagem. Quando chegou o grande dia foram cedo para o porto, onde foram recebidos com as regalias destinadas aos passageiros de primeira classe. Uma sorridente recepcionista apanhou seus bilhetes com uma ensaiada fala: “sejam bem vindos ao TITANIC, um dos mais velozes e seguros navios já construído pelo homem. O seu camarote é o de número 123 – vou conduzi-los até lá…”.
Ali, ao lado deles, a dona Morte, largando por minutos sua inseparável foice e esboçando um sorriso de satisfação, apanhou uma prancheta e cravou um “X” onde lia-se “Sr. e sra. Smith – Camarote 123.”
A sorte de Jonny Smith não mudara…
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