UM PRESENTE DAS ARÁBIAS!
Meu filho caçula em sua infância foi muito peralta. Daqueles que exigiam pelo menos duas mães. Um desafio para a paciência das tias da escolinha e assumido arqui-inimigo do Kumon. Aos cinco anos contava com vinte e dois quilos de pura energia. Uma criança muito inteligente e feliz, para quem as três maiores invenções da humanidade foram, não necessariamente nesta ordem, o sorvete, a televisão e o videogame.
Sempre que viajava ligava duas ou três vezes por semana para sua mãe e quase sempre era ele quem atendia ao telefone e logo ditava a relação dos presentes desejados. Por aqueles anos realizei uma viagem de estudos sobre determinado assunto pela Europa e Egito. Viagem demorada.
Liguei primeiro do Cairo. Pediu-me um “bamelo” de verdade e recomendou que tomasse cuidado com os “cucrudilus” e com a areia “muvidisca”. Seu irmão mais velho gostava muito do desenho animado Alladim e a Lâmpada Maravilhosa e ele assistia junto. Com certeza advinha dali tamanho conhecimento de geografia. Todas as vezes que ligava ele insistia naquelas recomendações e reforçava seu pedido pelo “bamelinho” de verdade”.
Devido a um fato imprevisto surgido tive que estender aquela jornada por um período maior. Lá pelo trigésimo dia, liguei do interior da França. Como sempre atendeu a ligação e, antes de mais nada foi logo cobrando: “cadê meu bamelo?”. Desconversei e respondi como pude: “Estou levando, estou levando…”. Ele pensou um pouquinho e não deixou por menos: “Você tá demorando muito. Eu não falei que era para você vir montado nele. O “bamelo” é meu!”.
Hoje ele tem vinte e dois anos e é estudante do curso de Engenharia da Computação. Perdeu seu interesse por aquele fabuloso animal, imprescindível aos homens que enfrentam as apavorantes secas desérticas naquele continente.
Não dá para esquecer do molequinho que ele era, dá?
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