ABANDONEI MEU PATRÃO PRESO NO BANHEIRO!

  S?o Pedro Desenho

   Pelo que vocês leram sobre a vida de Krauss neste blog (um dos meus patrões, lembram-se?) já deve ter sido possível concluir que ele era um alguém fraco da cabeça, adotando malucas ideologias racistas e  deixando só rastros ruins por onde passava.

 E o verbo ser está propositalmente colocado no pretérito porque ele já não é mais – foi-se! Dizem que quando tentava deixar uma bomba caseira em um recém- inaugurado terreiro de umbanda, se atrapalhou e a dita cuja explodiu em suas mãos – não sei se é verdade! Mas se tiver sido mesmo  o que ocorreu deve ter morrido muito feliz, pois alguns tresloucados afirmam que aos homens bomba é prometida uma passagem de primeira classe diretamente ao Paraíso, sem os aborrecimentos com escalas e conexões (sei não!). 

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 Penso que o problema para ele deve ter se dado em seu “desembarque”, quando se deparou com um São Pedro muito velhinho, segurando numa  das mãos um chaveiro contendo algumas chaves grandes necessárias para abrir os portões do Reino Celestial, e na outra um volumoso livro de consultas, para checar quem está habilitado a ingressar naquele cobiçado Édem, que não tem entrada de serviço e nem porta dos fundos.

 E o nome do pobre Herr Krauss certamente não constava naquele livro. O atarefado santo porteiro, muito bondosamente (como são todos os santos) procurou até com outra grafia, um Herr sem o “H” (“Err”!),  mas não teve jeito,  não constava lá não. Nem imagino o que pode ter ocorrido com o coitado depois disso. Oxalá ele não tenha sido convidado a visitar determinado lugar onde é sempre recomendável levar um pouco de água benta e, por via das dúvidas, também uma bíblia com um marcador de página no capítulo João 3;8.(“Quem comete o pecado é do “Tinhoso”...” – ou qualquer coisa assim). – Prudência nunca é demais!

 

 Um monte de chaves numa mão — Stock Photo © Spanychev ...

 

Mas, falando em fechaduras e chaves me recordei de outro “causo” que aconteceu quando trabalhei naquela cantina. Foi numa tarde de quarta-feira, quando Frau saiu para ir ao sapateiro levar um par de sandálias para conserto. Não sei por que aquela mulher ia com tanta frequência naquele sapateiro. Na época eu era criança e crianças veem tudo com olhar de pureza... Mas deixa prá lá...não vem ao caso aqui.

 Como dizia, ficamos só eu e o Krauss na cantina. O movimento estava muito parado e ele decidiu ir ao banheiro que ficava no “anexo”, que embora nos dirigíssemos assim a ele, não era bem um anexo. Ficava a uns trinta ou quarenta metros da Cantina. E a porta daquele banheiro era uma armadilha, o trinco vivia travando. Corria-se o risco de ficar preso lá dentro. E foi o que aconteceu com Hess naquela tarde. Passados alguns minutos eu ouvi seus berros com o forte sotaque alemão que tinha. “Arrrame, ô fechadurra trravou,  tirra eu daqui!”. O que eu podia fazer ? Não havia chave de reserva. “O que devo fazer seu Krauss ?”. “Vá procurarrr o cabo Peterr, ele faz esses conserrtos  e tem as chaves de todas as porrtas do Quarrtel”. “Diga a ele parrra virr arrrumarr ô fechadurra”.  Fiz o que ele mandou. “Cabo, o seu Hass pediu para o senhor ir arrumar a fechadura do banheiro do anexo”. Consultou seu relógio, que  marcava duas e meia. “Diga a ele para ficar tranquilo que passarei lá quando acabar meu turno como cabo do dia”. “Depois das cinco”. “Obrigado cabo, vou dizer a ele”. “Seu  Hess ele disse para o senhor ficar tranquilo que vai passar aqui depois das cinco horas”. “Você tá louco Arrrame! Não disse a ele que eu estarr prreso no banheirro?”, ‘Eu não, o senhor mandou eu ir chamar ele para vir arrumar a fechadura, foi o que eu fiz”. “Puta Merrda, você é mesmo um burrro Arrame!”. ”Volta lá e diga que eu estarr prreso aqui”. Voltei como ele mandou mas infelizmente o cabo havia saído, dirigindo uma  viatura para o Comando. Quando dei a má notícia a ele: “Você é um prreto burrro”. Acabou ficando preso lá por  mais de três horas.

 Foi por estas e por outras que seu nome não constava no “livrinho” de são Pedro. Naquela tarde teve um bom tempo só para ele, podia ter aproveitado para refletir sobre o rumo que sua vida estava tomando.

 Não dei o recado mal dado de propósito, eu era meio cabeçudinho mesmo. Mas foi bom. Para a prisão  é onde devem ser mandados os  abobados racistas...Nem que esta seja  num banheiro...

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