Um Intruso Bem Vindo Para o jantar !

 

Ontem um dos meus filhos me falou sobre um divertido acontecimento envolvendo ele e sua namorada no último final de semana. Lamento não ter a capacidade narrativa dele, que conseguiu dar vida ao ocorrido, detalhando as minucias e ilustrando a conversa com gestos faciais e corporais que só ele sabe fazer. Nunca tive tal proeza – com certeza herdou da metade genética de sua mãe -  mas mesmo com essas limitações, vou tentar contar como foi.

No sábado à noite ele levou sua namorada para jantar numa churrascaria não muito longe daqui. Queriam um jantar a dois, mas acabou sendo a três. A terceira companhia surgiu logo após terem dito ao garçom que optariam pelo rodízio de carnes. Tratava-se de um simpático e cativante vira-latas, com cara de pidoncho, daquelas que só eles sabem fazer quando querem sinalizar que estão com fome há mais de três dias. Estranharam quando o garçom trouxe o primeiro espeto e deu aquela olhada de “Você de novo !” para ele, que sabiamente se enfiou embaixo da mesa. Pois é, como não podia ser diferente, ficaram com pena dele e sorrateiramente  (para o garçom não ver) partilharam a comida com ele que, escondido ali, limitava-se abrir a boca para sucessivos pedidos de “quero mais !”. Era bom de garfo, um bom gourmet. Só não quis sua parte na sobremesa, que era pudim de baunilha. Fez cara de quem não gostava. Tudo bem, ninguém é perfeito. Acabado o jantar, saíram do restaurante, com ele atrás. Foram caminhando em direção à casa da namorada, que ficava perto, com ele continuando no encalço. Começaram a se preocupar com o que poderiam fazer para socorrê-lo, não deixa-lo abandonado na rua... Mas aí, de repente, o peralta entrou num portão que estava semiaberto, dando para o quintal de uma verdadeira mansão, com um bem cuidado jardim onde havia uma casinha de cachorro, com uma placa que dizia “Lar do Cáqui”. E ao seu lado um bebedouro de alumínio (chique ! – normalmente são de plástico) e um bem abastecido pote de ração. Que fome que nada ! O malandro do Cáqui gostava mesmo era de jantar fora nas noites dos sábados, de preferência numa churrascaria e muito bem acompanhado – escolheu o casal certo...

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